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1.27.2006
* 3º Capítulo *
“ Histórias do Bosque ”


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Á medida que se embrenhavam no bosque, as altas e densas árvores cobriam a saída da planície. Ao fim de quinze minutos Evelin já não mais avistava o velho carvalho mágico.
Tudo estava silencioso e sombrio, pois poucos eram os raios de sol que conseguiam atravessar as folhas das árvores.
Caprice e Evelin caminhavam uma ao lado da outra enquanto Violet e o seu misterioso companheiro andavam um pouco mais à frente, completamente alheados das duas amigas.
Evelin limitou-se a fitar o chão, ouvindo atentamente os passos dos seus companheiros a calcar ramos secos, fazendo-os estalar, e a pisar a terra molhada. Subitamente desviou o olhar para as montanhas que tocavam a lua e que pareciam acompanhar, lado a lado, o seu caminho através da floresta.
Alguns metros à frente, Violet enveredou por um carreiro ladeado por flores silvestres, o que fez com que as imponentes montanhas ficassem para trás.
A jovem Evelin enfrentou novamente o chão e assim continuou durante aquilo que lhe pareceram horas até que Caprice quebrou finalmente o silêncio:
- Acho que já está na hora de pararmos para reabastecer as nossas forças! – Afirmou a fada sentando-se no ombro de Evelin.
Violet e o jovem misterioso pararam e olharam Caprice mantendo o silêncio.
- Não temos tempo para paragens desnecessárias… - Disse o rapaz severamente.
- Bem… - Disse por fim Violet - …talvez ela tenha razão. Uma jornada destas não se faz de estômago vazio. E há já ali uma clareira, podíamos lá parar para almoçar.
- Com certeza menina Violet. – Consentiu o jovem seguindo caminho.
Evelin suspirou de alívio pois já começava a sentir fome e Caprice esvoaçou à sua volta indignada:
- “Com certeza menina Violet…faço tudo o que estiver ao meu alcance para lhe lamber as botas menina Violet!” – Gozou Caprice imitando a voz do jovem.
Evelin soltou uma pequena risada e Violet, que se apercebera da situação, deixou-se ficar para trás de modo a alcançar a fada e Evelin.
- Vocês não deviam troçar de alguém tão importante como ele! – Murmurou Violet.
- E que razão nos levaria a não troçar de uma pessoa tão arrogante e pretensiosa? – Perguntou Caprice na sua fina voz de fada traquina.
- Ele é descendente de um dos caçadores das Montanhas da Lua! Aliás ele próprio pertence a essa lendária linhagem, desde os nove anos de idade que ele caça tesouros raros e protege os elfos e a rainha Naím! São dez anos ao serviço de Celtiwonde! – Respondeu Violet dando, na forma como se exprimia, uma maior valorização aos actos do jovem.
- Oh…porque é que não estou impressionada? – Perguntou a fada ironicamente – Não me interessa se ele é lendário ou não, eu vou lá mostrar-lhe como se trata uma senhora! – Dito isto Caprice precipitou-se em direcção ao caçador.
- Não fada! – Gritou Violet tentando agarra-la, mas a pequena criatura escapou-lhe por entre o dedos e voou a grande velocidade parando em frente ao jovem e obrigando-o a parar também.
- Ouve lá, tu não penses que lá por seres todo importante nos podes tratar assim! E mais…
O jovem caçador retirou rapidamente do bolso aquilo que parecia ser uma pequena lanterna de bronze e entendeu-a diante de Caprice fazendo esta soltar um pequeno grito.
- Isso é um apagador de fadas! – Gritou Caprice assustada – Era utilizado por caçadores de fadas, tirava-nos a luz, depois o nosso pó mágico e depois matav… - Caprice caiu inanimada no chão.
Evelin correu rapidamente para ela empurrando o caçador para alcançar a fada. A jovem baixou-se e pegou cuidadosamente em Caprice tentado, com um dedo, sentir o seu pequeno coração bater. Felizmente a fada não estava morta apenas desmaiada pelo susto.
Evelin encarou furiosamente o jovem que permanecia impávido perante aquela situação.
- Olha o que fizeste! – Gritou ela – Podias tê-la matado!
O caçador revirou os olhos e prosseguiu ignorando Evelin.
- Não me vires as costas quando falo para ti seu…seu idiota! – A jovem pegou numa pequena pedra do chão e atirou-a ao caçador acertando-lhe no meio das costas.
O jovem virou-se bruscamente fulminando Evelin com o olhar, depois a sua expressão de fúria esmoreceu-se dando lugar ao habitual olhar misterioso.
- O meu nome é Matt… - Disse ele com a sua voz sedutora e meiga.
Evelin sentiu uma tontura ao ouvir estas palavras, como se aquele nome a fizesse viajar num mar cor-de-rosa, sentiu mesmo a sua face pálida a corar. Porém mal teve tempo para organizar os seus pensamentos pois Matt rapidamente a alcançou pegando em Caprice que continuava inconsciente e estendendo depois a mão a Evelin para esta se levantar do chão.
A jovem cedeu-lhe a mão e sentiu outra tontura, desta vez bem mais forte, e desejou que Matt não repara-se na sua cara cada vez mais rosada.
- Na clareira podemos deitar-lhe umas gotas de água. Acho que será o suficiente para a fazer acordar. – Sugeriu ele retomando o caminho. Evelin e Violet seguiram-no até, poucos minutos depois, alcançarem uma enorme clareira recheada de flores e cogumelos multicolor.
Evelin sentou-se junto a Matt enquanto Violet colhia algumas flores.
O jovem caçador segurou Caprice com uma mão e com a outra abriu um velho cantil de metal deixando cair sob a face da fada adormecida algumas gotas de água. Caprice estremeceu e abriu lentamente os seus olhos cor de esmeralda. Num movimento brusco a fada voou para fora da mão de Matt.
- Tu! – Gritou ela apontando um dedo ao jovem – Tu tentas-te matar-me! – Depois olhou para Evelin sentada ao lado do seu “carrasco” – Eve… Não me digas que usaste um dos teus feitiços para fazê-la aliar-se a ti, seu caçador de fadas!
Evelin levantou-se aproximando-se de Caprice.
- Tem calma…ele é dos nossos afinal…foi ele que te salvou a vida. – Disse Evelin à nervosa fada.
Caprice olhou, desconfiada para Matt que permanecia sereno, depois encarou de novo a amiga.
- Tens a certeza Eve? É que se ele te fez algo eu ainda posso desfaze-lo!
Evelin sorriu:
- Está descansada…ele é tão inofensivo como um coelhinho… - Evelin pensou por momentos -… bem, talvez não um coelho daqui. – Emendou ela.
Nesse momento Violet aproximou-se trazendo consigo alguns cogumelos e flores.
- Toma uma flor...sei como vocês, fadas se perdem com um pouco de pólen…
- Podes ter a certeza! – Exclamou Caprice voando com a sua flor para uma rocha.
- …Evelin e Matt, aqui têm cogumelos. – Violet estendeu alguns cogumelos verdes a Evelin e ao jovem.
- Dispenso… - Disse o caçador levantando-se e afastando-se.
- Ele é sempre assim tão amigável? – Perguntou Evelin com ironia.
Violet sentou-se junto da jovem suspirando:
- O Matt não é muito dado a conversas…há quem diga que é tudo por causa da morte do pai, mas na minha opinião ele é apenas tímido. – Explicou Violet.
- O pai dele morreu? – Perguntou Evelin.
- Sim…o Matt era ainda uma criança, ninguém sabe ao certo como a não ser ele…sabes o Matt estava com o pai quando ele morreu, mas ele nunca fala sobre isso. Tudo o que lhe interessa é ser o caçador lendário que encontra o maior tesouro do mundo e é aclamado por todos da aldeia das Montanhas da Lua.
- O maior tesouro do mundo? – Perguntou a jovem invadida pela curiosidade.
Violet olhou Evelin:
- O maior tesouro do mundo, aquele que Matt e os seus antepassados buscam insaciavelmente, é a Pérola do Dragão.
Evelin franziu o sobrolho e Violet continuou:
- É uma pérola mágica que multiplica tudo aquilo em que toca, quer seja dinheiro, comida, o que quer que for.
Os olhos de Evelin arregalaram-se perante tal explicação.
- Ora como a aldeia do Matt é bastante pobre – Prosseguiu Violet -…tal tesouro ia ser-lhes muito útil pois já não necessitavam de passar fome e todos iam ter um grande poder. Porém… - Violet hesitou durante alguns segundos -…a Pérola do Dragão pertence ao Rei Dragão, um ser que tanto pode ser um homem como a criatura que cospe fogo, e que governa todo o bosque de Celtiwonde.
- Então é fácil! O Matt só tem que ir até ele e pedir-lhe a pérola. Tenho a certeza que ele é bastante rico e poderoso e que pode ceder sem qualquer problema a pérola a um dos habitantes do seu bosque. – Disse Evelin.
- Não é assim tão simples…ninguém pode alcançar o castelo do Rei Dragão sem que este o queira. – Explicou ela.
- Oh… - Evelin baixou o olhar.
- Bem… - Levantou-se Violet - …já almocei e agora vou procurar o Matt, e tu vê se comes os teus cogumelos antes que eles fiquem azuis! – Dito isto Violet correu pelo meio das flores desaparecendo atrás de umas árvores.
- “Antes que eles fiquem azuis?” – Questionou-se Evelin olhando para os cogumelos no seu colo. Subitamente a cor verdejante de um deles foi substituída por um azul-escuro. A jovem espantada pegou nele largando-o rapidamente.
- Ai! Estão gelados! – Gritou ela sacudindo a mão.
- É… se não os comeres eles congelam. – Explicou Caprice que observara tudo – É a lei da natureza.
- Que lei mais disparatada! – Resmungou Evelin pegando noutro dos cogumelos que permanecia verde. – Será que são venenosos? – Perguntou ela examinando-o.
- Claro que não! É hora de almoço, logo isso são cogumelos de almoço! – Esclareceu Caprice – Comes um e pensas de imediato em algo que gostarias de comer, e o cogumelo toma o sabor daquilo em que pensaste!
Evelin soltou uma risada e, a medo, colocou um na boca. De seguida pensou num delicioso hambúrguer, como só se faziam no bar do “Flash”, e logo sentiu o sabor do queijo, da carne e da mistura secreta de molhos. Deliciada com aquela espantosa refeição Evelin engoliu os restantes cogumelos até ficar cheia.
- Deviam de existir coisas assim na minha cidade. – Disse Evelin levantando-se – Nunca mais tinha que comer aquela comida odiosa que a minha mãe encomenda.
Caprice sorriu.
Alguns minutos depois Matt e Violet apareceram, e o caçador transportava aquilo que parecia ser um bonito cachorro branco morto. Depois baixou-se junto de umas pedras e começou a fazer fogo. (...)
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enviado por Miss Cat as 11:05 da tarde 2 comentarios

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1.16.2006
*Violet*

Idade: Desconhecida
Características Físicas: Elfa; cabelos negros ondulados; olhos violeta
Características Psicológicas: Romântica; doce; meiga
Outros:Uma das principais aias e mensageiras da rainha Naím; Junta-se a Evelin e torna-se na sua concelheira amorosa.

enviado por Miss Cat as 6:46 da tarde 0 comentarios

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* 2º Capítulo *
* Porta Para Um Mundo Mágico *

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Amanheceu e a chuva persistia em cair. Contudo, desta vez, era ainda mais fria e triste para a pobre Evelin.
Mal tinha acabado o pequeno-almoço de uma torrada, já o pai a chamava para seguirem viagem. Na mala tinha apenas o indispensável e nem o seu adorado leitor de cds lhe foi permitido levar.
Sentada no carro, envolvida pelo silêncio que se fazia sentir, Evelin observava as gotas de chuva a escorrerem pelo vidro, faziam-lhe lembrar a sua vida que se ia desmoronando lentamente. Embalada pelo som da chuva no tejadilho do carro os seus olhos cansados, resultado de uma noite em branco, finalmente fecharam.
Quando Evelin abriu de novo os olhos o cenário havia mudado radicalmente. Não mais se avistavam os altos arranha-céus cinzentos e a chuva fora substituída por um sol radiante.
Álvaro parou, minutos depois, numa estação de serviço cujo letreiro partido tornava ilegível o nome daquele local.
Sem dirigir uma só palavra à filha Álvaro dirigiu-se ao restaurante e ambos tiveram aquela a que se poderia chamar “a refeição mais silenciosa do mundo”.
Enquanto Evelin se deliciava com um saboroso hambúrguer, um homem alto, moreno, de barbas e cabelos prateados aproximou-se da mesa transportando um molho de flores.
- Não estamos interessados em comprar nada! – Apressou-se Álvaro.
O homem de barba prateada sorriu:
- Oh…mas eu não pretendo vender nada! – Afirmou ele com a sua voz forte mas meiga – Apenas gostaria de oferecer uma rosa a esta bela jovem.
Evelin corou ao receber uma rosa de um azul mais profundo que o oceano.
- Bem…hum…obrigada por me oferecer uma rosa pintada! – Agradeceu Evelin com ironia.
- Mas não é pintada menina… - Respondeu o homem.
Evelin soltou uma pequena gargalhada:
- Toda a gente sabe que não existem rosas azuis naturais! – Replicou a jovem.
O misterioso homem baixou-se como se fosse segredar algo a Evelin:
- Talvez não neste mundo…- Murmurou ele -…guarde-a bem menina ela vai aproxima-la de algo que lhe trará felicidade. – Dito isto, o homem de cabelos prateados afastou-se e saiu do restaurante deixando Evelin bastante intrigada com aquelas palavras.
“Talvez seja apenas um lunático!” – Pensou ela a fim de afastar os pensamentos estranhos da sua mente.
Terminado o almoço Álvaro e Evelin percorreram estradas através de montanhas e campos cultivados até que, três longas horas depois, alcançaram uma pequena povoação rodeada por bosques. Na entrada da aldeia lia-se numa velha tabuleta de madeira “Bem Vindos a Celtin”.
Evelin sempre achara ridículo tudo aquilo, as mulheres idosas nos portões das casas, olhando-a de lado, os homens sempre preocupados com as colheitas e as crianças e jovens sempre a correr de um lado para o outro na rua. Era como se aquele local, perdido no meio de nada tivesse parado num tempo remoto.
Felizmente para Evelin a casa da avó ficava afastada da povoação, no extremo da aldeia, mesmo ao lado do denso bosque de Celtin.
O carro de Álvaro fora seguido por olhares curiosos á medida que atravessava a aldeia. Por fim chegaram a uma cerca de madeira branca que conduzia a uma adorável casinha amarela de telhado branco.
A avó Camila esperava-os sorridente junto á cerca.
- Querida Evelin! – Disse a avó Camila na sua voz doce enquanto correu para abraçar a neta.
Estava exactamente como Evelin se lembrava da última e única vez que tinha visitado a avó: cabelos brancos apanhados em cima da cabeça, olhos azuis brilhantes e meigos, pele engelhada, sempre com um avental florido e o seu belo e terno sorriso.
- Há quanto tempo não te via meu bem! E como cresces-te e te tornaste numa bonita menina! – Afirmou a avó entusiasmada examinado a neta. – E tu Álvaro…sempre com esse ar cansado e aborrecido! Devias fazer como a tua filha e tirar umas férias aqui no campo!
Álvaro forçou um sorriso.
- Que pena a minha Cristina não puder ter vindo! – Continuou Camila – Também sempre atarefada com aquela loja infernal! Nem sei como vocês sobrevivem! Olhem para a menina… - A avó Camila apertou a face de Evelin - …tão pálida e magra! Esses ares de cidade só lhe fazem mal!
- Ok Dona Camila! Eu vou indo, tenho um longo caminho a percorrer…tome bem conta dessa menina e não a deixe sair das marcas! – Ordenou Álvaro lançando um olhar de desprezo a Evelin.
- Oh…que nunca saiu das marcas nesta idade Álvaro?! – A avó Camila soltou uma sonora gargalhada.
O pai de Evelin revirou os olhos e entrou no carro partindo a toda a velocidade.
A avó Camila, sem nunca perder o sorriso olhou Evelin:
- Anda meu bem, vou-te preparar um lanche! Pareces morta de fome!
Evelin entrou na casa amarela seguida pela avó.
Lá dentro tudo parecia adaptar-se à figura simpática e doce da avó Camila. Chão de madeira e paredes brancas, os armários da cozinha eram em madeira branca e as pequenas janelas estavam deliciosamente decoradas com cortinados floridos e rendados.
Nada desta ternura porém agradava a Evelin que amava acima de tudo a sua cidade escura e cinzenta que tão bem se encaixava com a sua vida. Ali a jovem sentia-se deslocada, num mundo ao qual não pertencia, mas após dar uma dentada na deliciosa tarte de maçã da avó sentiu-se um pouco melhor.
À noite, após o jantar, a avó Camila sentou-se com Evelin no sofá da sala, onde também as madeiras e os motivos florais eram abundantes.
- Então diz-me meu bem…que se passou para a tua mãe parecer tão perturbada quando me ligou? – Perguntou Camila mantendo-se sempre calma e amável.
- Hum…eu envolvi-me numa briga na escola e fui expulsa… - Respondeu Evelin timidamente.
- E essa briga teve algum motivo em especial?
- Sim…foi o meu namorado…ex-namorado…ele e uma rapariga que eu sempre detestei magoaram-me muito…
- Oh…então ninguém tinha o direito de te repreender por teres demonstrado os teus sentimentos… - A avó Camila sorriu e levantou-se saindo da sala.
Momentos depois Camila apareceu na sala transportando consigo um embrulho de papel pardo e entregou-o a Evelin.
- Abre meu bem… - Pediu a avó Camila.
Evelin retirou cuidadosamente o papel, desembrulhando um bonito globo de neve. Lá dentro a estátua de uma pequena fada cor-de-laranja sorria.
Evelin olhou a avó esperando uma explicação para aquele presente tão inesperado.
Camila sorriu adivinhando os pensamentos da neta:
- É uma fada. As fadas são protectoras das pessoas que as acolhem, dão alegria e amor…achei que era disso mesmo que precisavas…
Evelin baixou o olhar achando ridícula aquela crença da avó.
- Avó… - Disse ela -…eu não acredito em contos de fadas! Os meus problemas não se vão resolver com uma fada muito menos com um globo de neve!
Evelin levantou-se e dirigiu-se ao fundo do corredor onde ficava o seu quarto.
O quarto era pouco maior que o hall de entrada do seu prédio e apesar da decoração ser um pouco antiquada, tinha uma janela que lhe oferecia uma bela vista sobre o bosque.
Evelin pousou o globo na mesa-de-cabeceira junto à rosa azul. Depois sentou-se no chão com a cabeça entre as pernas. Os pensamentos corriam-lhe a mil á hora, toda a sua vida de infortúnio e agora para piorar mais a situação encontrava-se num sítio isolado longe das poucas coisas que ainda lhe traziam alegria.
Na mente de Evelin persistia a imagem de Paulo beijando Cecília, de todas as raparigas rindo-se dela e de um mundo inteiro a ignora-la.
- Não acredito em contos de fadas! – Gritou Evelin e num movimento de raiva derrubou o globo de neve que caiu ruidosamente no chão.
Nesse momento um deu-se um enorme clarão de luz que quase cegou Evelin. Quando o clarão acabou Evelin abriu os olhos lentamente. O globo estava despedaçado no meio do chão. A jovem correu para ele tentando apanhar todos os pedacinhos, mas algo faltava, talvez a peça mais importante do globo de neve – a fada laranja.
Evelin procurou desesperadamente pelo chão do quarto, debaixo dos móveis e da cama até que, uma voz fina e melodiosa a faz saltar.
- É verdade aquilo que disseste? – Perguntou a voz.
Evelin olhou à sua volta assustada por não avistar ninguém no quarto.
- Aqui em cima tonta! – Disse a voz.
Evelin ergueu o seu olhar até á mesa-de-cabeceira e qual não foi o seu espanto, quando viu, ao lado da rosa azul, uma pequena mulher, que não parecia ter mais de vinte centímetros, de cabelos cor de fogo, uns grandes olhos verdes, envergando um curto vestido cor-de-laranja e uma asas igualmente laranja.
- Olá! – Disse a mulher acenando e esboçando um simpático sorriso.
Evelin soltou um grito recuando rapidamente.
- O que…o que és tu? – Perguntou Evelin receosa.
A mulher levantou-se e espreguiçou o seu pequeno corpo.
- O meu nome é Caprice, sou uma fada e tu acabas-te de me libertar! – Sorriu ela.
Evelin não conseguia fechar a boca de espanto.
- Aquela tarte devia estar estragada…- Disse Evelin para consigo - …tem calma Evelin, deves ter adormecido e vais ver que tudo isto não passa de um sonho.
Caprice franziu o sobrolho e voou até Evelin que recuou rapidamente.
- Porque não acreditas que sou real? Não me estás a ver? – Perguntou a fada sempre tentando alcançar Evelin.
- As fadas não existem…eu devo estar com alucinações e tudo isto vai acabar brevemente. – Respondeu Evelin tentando a todo o custo acreditar nas suas palavras.
- Bem… - Caprice sorriu maliciosamente -…se eu não existisse… - A fada aproximou-se de Evelin – Conseguiria fazer isto?! – Caprice puxou violentamente um cabelo a Evelin.
- Ai! – Gritou a jovem. Depois pensou por instantes tentando assimilar tudo – Então isso quer dizer que tu és real? Uma fada? Daquelas que fazem magia e tudo?
Caprice acenou afirmativamente.
- Magia, truques, traquinices…tudo e mais alguma coisa! – Concluiu ela – E como me salvas-te da minha prisão de neve tenho o dever de ser tua protectora para sempre! – Acrescentou Caprice.
- Minha protectora?! – Evelin soltou uma risada enquanto se levantava do chão – Vais precisar mais do que vinte centímetros para me puderes proteger!
Caprice seguiu Evelin.
- Eu posso ter a altura que desejar, mas só dentro de Celtiwonde! – Afirmou a fada.
- Celti quê?! – Perguntou Evelin que ficava cada vez mais baralhada.
- Celtiwonde! O bosque mágico! Nunca ouviste falar?! Admira-me pois o teu quarto tem vista para a sua entrada!
Evelin olhou Caprice confusa.
- Sabes…hum… - Caprice hesitou.
- Evelin… - Ajudou a jovem.
- Sim Evelin! Sabes Evelin eu acho que devias vir comigo a Celtiwonde! Só para veres como as fadas são bem reais! – Sugeriu Caprice.
- A Celtiwonde?!
- Sim! Porque não vens comigo amanhã?
Evelin encolheu os ombros e foi-se deitar.
Na manhã seguinte Evelin acordou com o cheiro delicioso de chocolate quente. Levantou-se e correu rapidamente para a porta até que foi detida pela voz de Caprice.
- Bom dia dorminhoca! – Saudou a fada.
Evelin parou junto à porta e virou-se lentamente encarando a fada.
- Oh…afinal não eras um sonho…
Caprice tomou uma expressão zangada:
- É claro que não sou um sonho! Porque é tão difícil para ti acreditares que as fadas existem?! – Replicou Caprice.
Evelin sorriu:
- Talvez porque elas não existiam de onde eu vim! – Dito isto a jovem precipitou-se para a cozinha.
Lá a avó Camila acabara de preparar o mais delicioso chocolate quente do mundo. Evelin bebia-o deliciando-se a cada gole e Camila observava-a sorrindo.
- Quais são os teus planos para hoje querida? – Perguntou a avó.
- Hum…- Evelin hesitou pensando na resposta pois nem ela sabia o que realmente ia fazer -…vou andar por aí! – Respondeu ela por fim terminando o seu chocolate quente.
A avó Camila levantou-se pegando na caneca vazia de Evelin:
- Então diverte-te querida! – Sorriu a avó.(...)

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enviado por Miss Cat as 6:42 da tarde 0 comentarios

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Nome:Gabriela Cardoso
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